- Restaurantes e bares têm redução de 40% na alíquota IBS/CBS (~15,9% efetivo) por serem atividade de alimentação — mas ainda maior que a carga atual.
- Fim do PIS/COFINS monofásico em bebidas: cerveja, refrigerante e água passam a IBS/CBS + Imposto Seletivo (IS ~10-15% extra).
- Delivery pelo iFood/Rappi mantém retenção pela plataforma no novo modelo, com destaque de IBS/CBS na nota da plataforma para o restaurante.
- Simples Nacional Anexo I para restaurante mantido — para empresas até R$ 4,8M/ano, o Simples continua muito mais vantajoso.
Como fica a alimentação fora do lar no novo sistema
Restaurantes, bares, lanchonetes e food trucks são classificados na LC 214/2025 como serviços de alimentação — atividade que combina venda de produto (comida) com serviço (preparo + atendimento).
Alíquota IBS/CBS estimada:
- Alíquota de referência total: 26,5%
- Redução de 40% para alimentação: 15,9% efetivo
Comparação com carga atual (restaurante Lucro Presumido):
| Tributo hoje | Valor típico |
|---|---|
| PIS/COFINS cumulativo | 3,65% |
| ISS (em restaurantes, incide sobre serviço) | 0% (venda de alimento é comércio) |
| ICMS (com regime especial) | 3,2% em SP; 4-7% outros |
| IRPJ (8% base × 15% + adicional) | 1,20% |
| CSLL (12% base × 9%) | 1,08% |
| Total federal + estadual | ~9-13% |
Comparação pós-Reforma (Lucro Real):
- IBS/CBS: 15,9%
- IRPJ/CSLL: idem
- Crédito de IBS/CBS das compras (aluguel, energia, insumos): reduz o líquido
Simulação restaurante médio (R$ 1,5M/ano, custos credíveis R$ 600k):
- IBS/CBS devido: R$ 1,5M × 15,9% = R$ 238.500
- Crédito: R$ 600k × 15,9% = R$ 95.400
- IBS/CBS líquido: R$ 143.100 (~9,5% da receita)
- Vs Presumido atual: ~10-13% da receita
Impacto real: para restaurante com boa base de custos credíveis (aluguel de ponto comercial, energia, insumos com nota), o IBS/CBS líquido pode ficar próximo ou até menor que a carga atual.
Fim do PIS/COFINS monofásico em bebidas: o grande impacto do bar
Hoje, cerveja, refrigerante, água mineral e alguns outros itens têm PIS/COFINS monofásico — a indústria já recolhe pela cadeia. Bares e restaurantes revendem sem pagar PIS/COFINS novamente.
Com a Reforma:
- Monofásico é EXTINTO — cada elo paga o IBS/CBS sobre valor agregado
- Imposto Seletivo (IS) aparece em bebidas alcoólicas e açucaradas: 10-15% extra
Impacto em bar/restaurante que vende muita bebida:
Cerveja de R$ 4 no bar (custo R$ 2):
- Hoje: ICMS retido pela indústria (~R$ 0,60 já embutido); PIS/COFINS monofásico já embutido. Bar paga apenas Simples/Presumido sobre a margem.
- Pós-Reforma (2033): IBS/CBS sobre valor agregado (R$ 4 − R$ 2 = R$ 2 × 15,9% = R$ 0,32) + IS sobre venda (~12% de R$ 4 = R$ 0,48). Total imposto na venda: R$ 0,80.
- Diferença: carga total aumenta ~R$ 0,20 por cerveja.
Para um bar que vende 500 cervejas/dia, isso são R$ 100/dia ou R$ 3 mil/mês a mais de imposto na cerveja.
Refrigerante R$ 6 (custo R$ 3):
- IBS/CBS: R$ 3 × 15,9% = R$ 0,48
- IS: R$ 6 × 8% = R$ 0,48
- Total: R$ 0,96 (vs ~R$ 0,60 atual)
Água R$ 3 (sem IS):
- IBS/CBS: R$ 1,50 × 15,9% = R$ 0,24 (vs ~R$ 0,20 atual)
- Pouca diferença
Estratégia: bares devem revisar mix, precificação e comunicação. Cervejas premium (nacionais ou artesanais) podem virar mais competitivas relativamente, se o IS for calibrado por teor alcoólico ou nível de açúcar.
Delivery pelo iFood/Rappi na Reforma
Hoje, plataformas como iFood retêm ICMS na fonte em vários estados. Com a Reforma:
Modelo transitório (2026-2032):
- Plataforma continua retendo ICMS estadual conforme regra atual
- CBS federal: plataforma passa a reter também? Regulamentação em andamento
- Restaurante lança receita segregada no PGDAS-D como hoje
Modelo pleno (2033):
- Plataforma retém IBS + CBS na fonte (proposta da LC 214)
- Restaurante recebe valor líquido
- Emite nota com IBS/CBS destacado, mas repassa recolhimento à plataforma
Vantagens:
- Elimina risco de erro no cálculo do IBS/CBS
- Simplifica apuração do restaurante
- Estados/união recebem antecipadamente
Desvantagens:
- Restaurante recebe menos líquido de imediato
- Se a plataforma cobra comissão sobre o valor bruto, comissão sobe (calculada sobre valor com imposto)
- Restaurante do Simples que ganhava benefício da alíquota reduzida do DAS perde essa vantagem em vendas via plataforma
Estratégia:
- Renegociar contratos com plataforma (comissão sobre valor líquido de imposto, não bruto)
- Aumentar peso do delivery próprio (whitelabel Anota AI, motoboys) para preservar margem
- Fidelizar cliente para pedir direto (WhatsApp, site próprio)
Simples Nacional para restaurante: continua sendo o melhor
Restaurante no Simples Nacional Anexo I:
| Faixa | RB 12m | Alíquota | Efetiva |
|---|---|---|---|
| 1 | Até R$ 180k | 4,00% | 4,00% |
| 2 | R$ 180k – R$ 360k | 7,30% | 4,65% |
| 3 | R$ 360k – R$ 720k | 9,50% | 6,03% |
| 4 | R$ 720k – R$ 1,8M | 10,70% | 8,54% |
| 5 | R$ 1,8M – R$ 3,6M | 14,30% | 12,00% |
| 6 | R$ 3,6M – R$ 4,8M | 19,00% | 15,25% |
Comparação para restaurante R$ 1M/ano:
- Simples Nacional: 8,53% × 1M = R$ 85.300 (~8,53% da receita)
- IBS/CBS reduzido 40% + IRPJ/CSLL Presumido: ~11% da receita = R$ 110.000
Diferença: R$ 25 mil/ano em favor do Simples.
E o Simples é mantido pela Reforma. Restaurantes até R$ 4,8M/ano têm todos os motivos para permanecer no Simples.
Quando o Simples deixa de ser vantajoso:
- Faturamento próximo de R$ 4,8M/ano (obrigatoriamente sai)
- Muitos custos credíveis (>60% da receita) — quando o Real com créditos empata
- Muitos clientes PJ do Lucro Real exigindo nota com IBS/CBS destacado
Faturamento acima de R$ 4,8M/ano:
- Não pode mais Simples
- Escolher entre Presumido e Real
- Real vence se: margem baixa + muitos créditos + custos altos
- Presumido vence se: margem alta + poucos créditos + folha reduzida
Contadores especializados em food service estão fazendo o mapeamento produto a produto para cada rede antes de 2027.
Perguntas frequentes
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